O aumento nos preços do gás natural e do querosene de aviação anunciado pela Petrobras deve intensificar a pressão inflacionária no país nas próximas semanas. Os reajustes, que chegam a quase 20%, refletem a valorização do petróleo no mercado internacional em meio a tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
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O preço do querosene de aviação (QAV) teve aumento de 18%, enquanto o gás canalizado vendido às distribuidoras subiu 19,2%. Com isso, há impacto direto no custo do gás encanado para residências, comércio e no gás natural veicular (GNV), além de pressionar o setor aéreo.
Segundo dados do banco JPMorgan, o aumento no combustível já vem sendo repassado ao consumidor. As passagens aéreas registraram alta de 31% no início de abril em relação ao mês anterior e de 22% na comparação anual, refletindo o encarecimento do QAV, um dos principais custos operacionais das companhias aéreas.
Os reajustes seguem a política de preços da Petrobras, que considera fatores como a cotação internacional do petróleo tipo Brent, a variação cambial e o preço do gás natural no mercado externo. Entre fevereiro e abril, o Brent acumulou alta superior a 24%, enquanto o gás natural também apresentou valorização relevante.
Apesar de o gás de cozinha (GLP) não ter sido afetado neste momento, especialistas do setor alertam para novos aumentos. A Abegás projeta que o preço do gás canalizado pode subir mais de 30% no próximo reajuste, previsto para o terceiro trimestre, caso o cenário internacional não mude.
No setor aéreo, a Abear estima que o preço do querosene de aviação já acumula alta de cerca de 100% desde o início do conflito no Oriente Médio. Como o combustível representa até 40% dos custos das companhias, o impacto tende a ser repassado para o valor das passagens.
Para tentar amenizar os efeitos no setor, o governo federal anunciou linhas de crédito por meio do BNDES, com foco na reestruturação financeira das empresas aéreas.
Especialistas avaliam que, mesmo com eventual redução das tensões internacionais, os preços devem levar meses para se estabilizar, mantendo pressão sobre a inflação e o custo de vida no país.






