A notícia de que Melhor do que nos Filmes vai ganhar uma adaptação pela Netflix mexe diretamente com um tipo muito específico de leitor: aquele que já terminou o livro com um sorriso no rosto… e uma lista de ressalvas na cabeça. Eu me incluo exatamente nesse grupo.
Como fã assídua de Lynn Painter, do tipo que, se deixar, lê até a lista de compras dela, recebi o anúncio com uma mistura de empolgação e cautela. A empolgação é óbvia: ver personagens que a gente ama ganhando vida é sempre um evento. Mas a cautela vem do histórico da própria Netflix com adaptações. A plataforma oscila. Às vezes acerta em cheio, como vem fazendo com One Piece, provando que é possível respeitar a essência de uma obra. Outras vezes deixa a desejar.
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E “Melhor do que nos Filmes” é o tipo de história que depende muito de tom.
O livro acompanha Liz Buxbaum, uma adolescente apaixonada por comédias românticas que cresceu assistindo a esses filmes com a mãe, hoje falecida. Para ela, viver um romance digno de cinema é uma forma de manter viva uma memória afetiva. Quando seu crush de infância, Michael, reaparece, Liz acredita estar diante do seu destino. E, para conquistar esse “final feliz”, ela recorre justamente a quem menos gostaria: o vizinho irritante e irresistível Wes Bennett.
A partir daí, a trama segue por um caminho bastante conhecido, e esse nunca foi o problema. O clichê aqui funciona como conforto. A graça está no percurso, nas interações, nas provocações e, principalmente, na construção da relação entre Liz e Wes, que é, de longe, o coração da história.
Mas como leitora, e já não mais adolescente, eu também não consigo ignorar certos incômodos. Liz, em vários momentos, parece imatura além do esperado para sua idade. Suas atitudes com a madrasta e com a melhor amiga, por exemplo, são difíceis de defender. Existe ali uma tentativa de trabalhar luto, crescimento e amadurecimento, mas nem sempre isso se desenvolve com a profundidade que poderia.
E é exatamente aí que mora minha preocupação com a adaptação.
Porque uma boa adaptação é saber ajustar o que não funcionava tão bem no papel. A Netflix, sob direção de Julia Hart, tem uma oportunidade excelente: lapidar a Liz, dar mais nuances às relações e equilibrar melhor o drama com a leveza.
Agora, sendo completamente sincera, minha cabeça já está no segundo filme.
“Não é como nos Filmes” é, sem dúvida, o meu favorito. E não é difícil entender por quê. A continuação traz o ponto de vista do Wes, algo que muda completamente a experiência da narrativa, e adiciona uma camada mais madura à história. Os conflitos passam a explorar sentimentos mais complexos, inseguranças reais e as consequências das escolhas.

Se o primeiro livro é sobre sonhar com o amor, o segundo é sobre entender o que fazer com ele quando a fantasia acaba.
E é justamente essa evolução que me faz torcer tanto por uma adaptação bem feita. Porque, se a Netflix acertar no primeiro filme, abre caminho para algo ainda melhor depois. Um segundo longa mais denso, mais emocional, mais completo, exatamente como o livro é.
No fim das contas, minha expectativa é simples: que respeitem a essência da história sem medo de melhorá-la onde for necessário. Porque “Melhor do que nos Filmes” pode até ser uma comédia romântica leve, mas tem potencial para se tornar, nas telas, algo memorável.
E eu, como boa fã, até daquela que perdoa quase tudo, menos “Sorte no Amor”, que realmente não me conquistou, vou estar assistindo, analisando e, claro, torcendo.
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Imagem: Melhor do que nos filmes: fenômeno do BookTok ganha adaptação (Editora Intrínseca/Divulgação)







