Pesquisa brasileira avança na extração de terras raras a partir de lâmpadas fluorescentes

Pesquisadores brasileiros têm desenvolvido uma nova abordagem para recuperar elementos de terras raras a partir de lâmpadas fluorescentes descartadas, utilizando bactérias em um processo considerado mais sustentável. O estudo aponta uma alternativa para reduzir a dependência da mineração tradicional desses metais, essenciais para tecnologias como eletrônicos, veículos elétricos e sistemas de energia renovável.

As terras raras são amplamente utilizadas na indústria tecnológica devido às suas propriedades ópticas, magnéticas e químicas. No entanto, a extração convencional apresenta desafios ambientais e econômicos, além de estar concentrada em poucos países, o que aumenta a dependência global.

No Brasil, cientistas têm voltado a atenção para o reaproveitamento de resíduos eletroeletrônicos, especialmente lâmpadas fluorescentes, que ainda representam uma fonte relevante desses materiais. Além do potencial econômico, esse tipo de resíduo também demanda tratamento adequado devido à presença de substâncias tóxicas, como o mercúrio.

Segundo os pesquisadores, cerca de 1% da massa de uma lâmpada fluorescente é composta por elementos de terras raras, concentrados no pó interno que reveste o vidro. Apesar da quantidade aparentemente pequena, o volume de descarte anual torna a reciclagem uma alternativa viável.

A técnica utilizada no estudo é a biolixiviação, processo que emprega microrganismos para solubilizar metais de interesse. Foram utilizadas bactérias capazes de produzir substâncias como ácido sulfúrico e íons férricos, que auxiliam na extração dos elementos.

Os testes identificaram a presença de seis terras raras nas lâmpadas analisadas: ítrio, európio, cério, lantânio, térbio e gadolínio. Entre os resultados, destacam-se a recuperação total do ítrio e a extração de até 85% do európio em um período de três a cinco dias. A eficiência na recuperação dos demais elementos foi considerada limitada, devido às características químicas dos compostos.

Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores ressaltam que a reciclagem de lâmpadas fluorescentes não é suficiente para atender à demanda industrial por terras raras. Ainda assim, a estratégia é vista como complementar, contribuindo para a diversificação das fontes de obtenção desses materiais.

O estudo também se insere no contexto da chamada mineração urbana, que busca recuperar recursos valiosos a partir de resíduos. A abordagem está alinhada aos princípios da economia circular, ao reduzir desperdícios e minimizar impactos ambientais.

A pesquisa indica que o reaproveitamento de resíduos pode ter papel estratégico no fornecimento de insumos críticos, além de contribuir para a gestão adequada de materiais descartados.

Redação com informações do portal Olhar Digital

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Terras raras – Imagem: Shutterstock

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