Banco Central reduz Selic para 14,50% ao ano e mantém cautela diante de cenário externo incerto

O Banco Central do Brasil anunciou a redução da taxa básica de juros, a Taxa Selic, de 14,75% para 14,50% ao ano. A decisão foi tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) e repete o movimento iniciado em março, dentro de um processo de ajuste gradual da política monetária.

Mesmo com o corte, a taxa permanece em patamar elevado, no nível mais alto desde 2006, refletindo o esforço da autoridade monetária para conduzir a inflação à meta de 3%. Segundo o comunicado oficial, a manutenção de juros elevados por período prolongado contribuiu para a desaceleração da atividade econômica, abrindo espaço para ajustes graduais.

O Banco Central destacou que o ambiente econômico segue marcado por incertezas, especialmente devido aos impactos de conflitos no Oriente Médio sobre os preços de commodities, como o petróleo, e sobre as condições financeiras globais. Esse cenário tem pressionado as projeções de inflação e aumentado a volatilidade.

As estimativas oficiais indicam que a inflação deve atingir 4,6% em 2026, acima do limite superior da meta, e 3,5% em 2027, ainda distante do objetivo central. O Comitê ressaltou que os próximos passos na trajetória de juros dependerão da evolução desses indicadores e do cenário internacional.

A decisão já era amplamente esperada pelo mercado financeiro, com a maioria das instituições projetando o corte de 0,25 ponto percentual. Todos os integrantes presentes na reunião votaram pela redução.

O Copom também sinalizou que seguirá adotando postura cautelosa, avaliando continuamente os riscos de alta e de baixa para a inflação. Entre os fatores de pressão estão a possibilidade de desancoragem das expectativas inflacionárias, a resistência da inflação de serviços e os efeitos indiretos da alta do petróleo. Por outro lado, uma desaceleração mais forte da economia ou queda nos preços de commodities podem contribuir para reduzir a inflação.

Dados recentes indicam recuperação da atividade econômica em relação ao fim de 2025, embora a expectativa ainda seja de desaceleração ao longo de 2026. O mercado de trabalho segue resiliente, enquanto indicadores de inflação mostram aceleração e maior disseminação entre diferentes setores.

Diante desse cenário, o Banco Central reforçou que a condução da política monetária continuará baseada na evolução dos dados econômicos e no objetivo de garantir a convergência da inflação à meta estabelecida.

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