A divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril deve confirmar a desaceleração da inflação no Brasil, mas manter o alerta sobre a pressão dos combustíveis, alimentos e custos logísticos na economia. As projeções de economistas apontam alta entre 0,54% e 0,73% no mês, abaixo dos 0,88% registrados em março.
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O movimento ocorre em meio aos impactos da guerra no Oriente Médio sobre o petróleo e as cadeias globais de transporte. Segundo analistas, o atual cenário inflacionário é puxado principalmente por choques de oferta, e não pelo aumento da demanda interna.
Relatório do Banco Daycoval estima que cerca de 60% da variação acumulada do IPCA no primeiro trimestre tenha relação direta com choques de oferta, especialmente ligados à alta do petróleo.
Entre os itens com maior pressão esperada para abril estão alimentação dentro de casa, gasolina, produtos industriais ligados à cadeia petroquímica e serviços. Economistas também apontam aumento nos custos logísticos e em alimentos in natura, como leite e derivados.
Segundo Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro IBRE da Fundação Getulio Vargas, a inflação segue espalhada por diferentes setores da economia. Já José Alfaix, economista da Rio Bravo, destaca que a difusão do IPCA está próxima de 67%, indicando pressão ampla sobre os preços.
Apesar da pressão internacional, a valorização recente do real frente ao dólar ajudou a reduzir parte do impacto inflacionário. Economistas avaliam que o câmbio mais favorável tem funcionado como um amortecedor sobre os preços internos, principalmente dos combustíveis.
O cenário, no entanto, aumenta as dúvidas sobre a continuidade dos cortes da taxa Selic pelo Banco Central. O mercado acompanha a alta das expectativas de inflação para os próximos anos, movimento que reforça a cautela do Comitê de Política Monetária (Copom).
As projeções para a Selic no fim de 2026 variam entre 12,5% e 14%, dependendo da evolução da inflação e do cenário internacional. Parte dos economistas acredita que o Banco Central pode reduzir o ritmo de cortes ou até interromper temporariamente o ciclo de queda dos juros.
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Redação com informações do portal InfoMoney





