O impacto acumulado de sete semanas de guerra no Oriente Médio começa a se refletir nos principais indicadores econômicos globais, reacendendo o temor de estagflação — combinação de inflação elevada com crescimento fraco. Dados preliminares de atividade empresarial (PMIs) previstos para abril devem indicar até que ponto os efeitos do conflito entre Irã e Estados Unidos vêm se intensificando.
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As projeções compiladas pela Bloomberg apontam para uma deterioração mais ampla em economias como Alemanha, França, zona do euro e Reino Unido, enquanto os indicadores dos Estados Unidos tendem a permanecer relativamente estáveis.
O termo estagflação, associado à crise econômica dos anos 1970, voltou ao debate após ser citado por Chris Williamson, economista-chefe da S&P Global, ao avaliar os riscos captados pelos indicadores globais em março.
O cenário também foi tema de discussões em Washington, onde autoridades foram alertadas pelo Fundo Monetário Internacional sobre a possibilidade de uma desaceleração mais acentuada — incluindo cenários próximos de uma recessão global. Mesmo com um cessar-fogo em vigor, especialistas avaliam que os impactos sobre inflação e crescimento não devem ser revertidos rapidamente.
“Mesmo que a guerra acabe amanhã, levaria um bom tempo até que a recuperação ganhasse tração. O impacto já está embutido”, afirmou Kristalina Georgieva, diretora-gerente do FMI.
A alta nos preços de energia é um dos principais fatores de pressão. O conflito tem afetado a oferta global de petróleo, elevando custos e contribuindo para a inflação em diversas regiões. Esse cenário dificulta a atuação de bancos centrais, que precisam equilibrar o combate à inflação sem comprometer ainda mais o crescimento econômico.
No Banco Central Europeu, autoridades indicam cautela na análise dos dados antes de decisões sobre juros. Já o Federal Reserve acompanha indicadores como confiança do consumidor e atividade econômica para calibrar sua política monetária.
Além dos PMIs, outros indicadores relevantes serão divulgados ao longo da semana, como índices de confiança empresarial na Europa e dados de sentimento do consumidor nos Estados Unidos, ampliando o panorama sobre os efeitos da crise.
Analistas avaliam que, mesmo com possíveis avanços diplomáticos, a instabilidade tende a persistir. A confiança entre as potências envolvidas segue baixa, e tensões geopolíticas continuam influenciando mercados, especialmente no setor de energia.
Diante desse cenário, autoridades e investidores enfrentam um ambiente de elevada incerteza, com desafios simultâneos de inflação resistente e crescimento enfraquecido — combinação que reforça o alerta global sobre o retorno da estagflação.
Redação com informações do portal Infomoney






