A concessão de crédito imobiliário pelo Banco do Brasil registrou uma queda expressiva no início de 2026, surpreendendo o mercado financeiro. Nos dois primeiros meses do ano, o banco liberou apenas R$ 89 milhões em financiamentos habitacionais, uma retração de 91% em relação ao mesmo período de 2025, quando o volume chegou a R$ 1 bilhão.
O recuo é muito superior à média do setor, que apresentou queda de 7,6% no período, segundo dados da Abecip. O desempenho coloca o banco entre os que mais reduziram a oferta de crédito com recursos da poupança.
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Entre os fatores apontados para a retração está a estratégia da instituição de priorizar o financiamento ao agronegócio, destino tradicional desses recursos dentro do banco. Além disso, as taxas praticadas pelo BB, a partir de 11,74% ao ano mais TR, têm se mostrado menos competitivas frente a concorrentes como a Caixa Econômica Federal e bancos privados, dificultando a contratação de novos financiamentos.
Outro elemento que pressiona o crédito imobiliário é a saída de recursos da caderneta de poupança para investimentos mais rentáveis, o que reduz a disponibilidade de verba para financiamentos habitacionais.
A diferença em relação aos concorrentes também se reflete no tamanho da carteira. Enquanto o Banco do Brasil soma cerca de R$ 46,7 bilhões em crédito imobiliário, a Caixa mantém liderança no segmento, com aproximadamente R$ 938 bilhões.
Impacto para consumidores
A redução na oferta de crédito tende a afetar diretamente quem pretende financiar um imóvel em 2026. Com menos recursos disponíveis, há risco de aumento nas taxas, maior rigor na aprovação e necessidade de buscar alternativas em outras instituições financeiras.
Especialistas avaliam que o movimento pode acelerar a migração de clientes para bancos com melhores condições, além de estimular a portabilidade de crédito. Ao mesmo tempo, a concentração do financiamento imobiliário em menos instituições pode redesenhar o mercado no médio prazo.
Novo cenário para o setor
O recuo do Banco do Brasil sinaliza uma possível mudança no perfil do crédito habitacional no país. Com maior foco no agronegócio e menor atuação no financiamento imobiliário, o banco pode perder espaço em um segmento historicamente relevante.
Para consumidores, a recomendação é acompanhar as condições oferecidas por diferentes instituições, comparar taxas e avaliar cuidadosamente as opções disponíveis antes de contratar um financiamento.
Redação com informações do portal Diário do Estado de Goiás
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Banco do Brasil (Foto: Reprodução)






