A aprovação do projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos reposiciona o Nordeste no mapa da mineração mundial. Com áreas promissoras para exploração de terras raras, lítio, níquel, grafite e tântalo, a região passa a ocupar espaço estratégico em um mercado impulsionado pela transição energética e pela demanda crescente por tecnologias ligadas a baterias, carros elétricos, energia limpa e equipamentos eletrônicos.
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O projeto prevê prioridade em licenciamentos e a criação de um fundo que pode chegar a R$ 5 bilhões para incentivar empreendimentos considerados estratégicos. O debate ganhou ainda mais relevância após o tema entrar na pauta de discussões entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante encontro recente nos EUA.
Os chamados minerais críticos são considerados essenciais para a economia global contemporânea. Eles estão presentes na fabricação de turbinas eólicas, smartphones, sistemas de defesa e veículos elétricos. As terras raras, por exemplo, são vistas como peças-chave para o avanço da transição energética em vários países.

O Brasil possui atualmente a segunda maior reserva mapeada de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas, ficando atrás apenas da China. Apesar disso, apenas aproximadamente 25% do território nacional foi mapeado, o que amplia a expectativa de novas descobertas minerais nos próximos anos.
Nesse cenário, o Nordeste aparece como uma das regiões mais promissoras do país. A Bahia concentra produção de vanádio e possui depósitos de terras raras, níquel, grafite e cobre, com destaque para a região de Maracás. O Ceará avança em pesquisas relacionadas ao lítio e grafite, enquanto o Rio Grande do Norte mantém histórico de exploração de tungstênio e potencial para minerais ligados ao setor energético.
Na Paraíba, áreas do Seridó vêm chamando atenção pela presença de pegmatitos ricos em minerais raros, além do potencial para exploração de lítio e tântalo. Já o Piauí amplia estudos sobre fosfato, níquel e terras raras, enquanto Pernambuco começa a desenvolver pesquisas relacionadas a minerais estratégicos.
Especialistas apontam que a nova política pode acelerar investimentos, fortalecer cadeias industriais e gerar empregos ligados à mineração e à tecnologia. Ao mesmo tempo, o avanço do setor também amplia debates sobre soberania mineral, participação de capital estrangeiro e agregação de valor dentro do próprio país.
Durante as discussões do projeto, parlamentares destacaram a importância estratégica dos minerais críticos para o desenvolvimento econômico nas próximas décadas. A avaliação é que o Brasil precisa avançar não apenas na extração, mas também no beneficiamento e industrialização desses recursos.
Com o crescimento global da demanda por energia limpa e tecnologias sustentáveis, o Nordeste passa a ser visto como uma das regiões com maior potencial de transformação econômica no país. A combinação entre reservas ainda pouco exploradas, novos investimentos e interesse internacional coloca a região em posição de destaque em um setor considerado decisivo para o futuro da economia mundial.
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Imagem: Mina de urânio (Foto: BBC)





