A chegada da Ozivy, primeira caneta de semaglutida produzida no Brasil, pode provocar reflexos além do setor farmacêutico. Com o início das vendas nas farmácias e previsão de distribuição em todo o país até o fim de julho, especialistas avaliam que a expansão dos medicamentos da classe GLP-1 deve influenciar o comportamento de consumo e acelerar mudanças no varejo alimentar.
Desenvolvida pela farmacêutica EMS após o fim da patente do Ozempic, a Ozivy chega ao mercado com preço inicial a partir de R$ 452, podendo chegar a R$ 287 por mês durante o período promocional de lançamento. O valor inferior ao praticado por medicamentos semelhantes amplia a expectativa de crescimento da base de usuários no país.
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Segundo estudo da Euromonitor, 5,5% dos brasileiros já utilizam canetas emagrecedoras, enquanto quase metade da população afirma estar tentando perder peso em 2026. O avanço desse perfil de consumidor tem levado supermercados a ampliar a oferta de produtos alinhados a hábitos alimentares considerados mais saudáveis.
A tendência inclui maior procura por frutas, verduras, legumes, proteínas magras, alimentos ricos em proteínas, produtos orgânicos e itens com menor teor de açúcar e gordura. Em contrapartida, alimentos ultraprocessados, doces, massas, congelados e refrigerantes tradicionais tendem a perder espaço relativo nas escolhas de parte dos consumidores.
O movimento também alcança setores específicos dentro dos supermercados. No açougue, cresce a demanda por carnes magras, como peito de frango, patinho e peixes, enquanto bebidas sem açúcar e versões sem álcool ganham maior visibilidade diante da mudança nos hábitos alimentares.
A expectativa é que a reorganização do mix de produtos se intensifique à medida que aumenta o acesso aos medicamentos para controle do peso. Além dos usuários das canetas, o interesse crescente por alimentação equilibrada entre consumidores que não utilizam esses medicamentos também contribui para a adaptação do varejo alimentar.
Especialistas apontam que essa mudança acompanha uma transformação mais ampla no comportamento de compra dos brasileiros, na qual saúde, bem-estar e qualidade nutricional passam a exercer maior influência sobre as decisões de consumo. Nesse cenário, supermercados tendem a ampliar espaços destinados a categorias voltadas à saudabilidade, diversificando a oferta de produtos e acompanhando uma demanda que vem crescendo nos últimos anos.





