Mesmo com subsídios e medidas adotadas pelo governo federal desde o início da guerra no Irã, os preços dos combustíveis acumulam alta média de 6,8% no Brasil em 2026. O avanço tem pressionado a inflação e aumentado as dúvidas do mercado sobre a continuidade do ciclo de queda da taxa Selic.
Dados recentes mostram que o diesel S10 lidera os aumentos, com alta de 17,1% entre março e maio. Na sequência aparecem o diesel comum (15,1%), gasolina comum (5,7%), gasolina aditivada (5,2%), gás natural veicular (5,1%) e gás de cozinha (4,3%).
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O impacto já começa a atingir outros setores da economia. Segundo especialistas, o aumento dos combustíveis encarece o transporte de mercadorias, eleva custos logísticos e pressiona preços de alimentos, energia e serviços.
Em abril, a gasolina foi o item com maior impacto individual no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A inflação do mês ficou em 0,67%, enquanto o acumulado em 12 meses subiu para 4,39%, próximo ao teto da meta definida pelo Banco Central do Brasil.
O governo federal já anunciou subsídios para diesel, biodiesel, querosene de aviação, gás de cozinha e gasolina, em um pacote estimado em cerca de R$ 13 bilhões. A proposta prevê ainda uma subvenção parcial sobre a gasolina, que poderá variar entre R$ 0,40 e R$ 0,45 por litro.
Apesar das medidas, economistas avaliam que o cenário internacional segue pressionando os preços. O prolongamento do conflito no Oriente Médio e as dificuldades no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz mantêm o barril em níveis elevados no mercado global.
Para analistas do setor financeiro, esse cenário pode fazer o Banco Central do Brasil interromper antes do previsto a redução da Selic, atualmente em 14,5% ao ano. A expectativa de parte do mercado é que os juros encerrem 2026 entre 13,5% e 14%.
Outro ponto de preocupação envolve o impacto indireto dos combustíveis sobre os alimentos. Produtos transportados por caminhões, especialmente os ligados ao agronegócio, já registram aumento nos preços ao consumidor.
Especialistas também alertam para possíveis novas pressões inflacionárias caso a Petrobras realize reajustes na gasolina nas próximas semanas, hipótese mencionada recentemente pela presidente da estatal, Magda Chambriard.





