A Copa do Mundo da FIFA 2026™ será acompanhada por um cenário diferente daquele encontrado pelos brasileiros durante o Mundial do Qatar, em 2022. Segundo levantamento da Rico, produtos tradicionalmente consumidos durante os jogos acumularam alta média de 32,5% entre o fim de 2022 e o fechamento de 2025, percentual superior à inflação oficial do período.
De acordo com o estudo, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou 21% no período, a chamada “cesta da Copa” registrou aumento significativamente maior, pressionada principalmente pelo encarecimento de bebidas, chocolates, sorvetes e produtos industrializados.
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A pesquisa utiliza dados da NielsenIQ (NIQ) e considera itens tradicionalmente associados ao consumo coletivo durante partidas de futebol, como carnes, cerveja, refrigerantes, chocolates e salgadinhos.
Chocolate lidera aumento de preços
Entre os produtos analisados, o chocolate foi o item que apresentou a maior alta acumulada. O preço de chocolates em barra e bombons subiu 66,6% entre 2022 e 2025.
Segundo a Rico, a principal explicação está na crise global do cacau, provocada por problemas climáticos e perdas de safra em importantes países produtores da África Ocidental, como Costa do Marfim e Gana.
Outros itens que registraram forte valorização foram sorvetes (44,9%), outras bebidas alcoólicas (36,1%), sucos de frutas (35,7%) e refrigerantes e água mineral (35,5%).
Carnes tiveram comportamento mais moderado
Na contramão de outros produtos da cesta, as carnes acumularam alta de 12,9% no período, abaixo da inflação geral medida pelo IPCA.
O levantamento destaca que o segmento registrou queda de preços em 2023, o que ajudou a reduzir parte da pressão sobre o orçamento dos consumidores. Mesmo com a recuperação observada em 2024, o aumento acumulado permaneceu inferior ao índice geral de inflação.
Já carnes e peixes industrializados apresentaram alta de 7%, a menor entre todas as categorias analisadas.
Renda cresce, mas orçamento segue pressionado
O estudo também aponta que a renda da população avançou entre 2022 e 2025 e que a taxa de desemprego caiu de 7,9% para 5,6% no período.
Apesar disso, o comprometimento da renda familiar com dívidas aumentou e atingiu 29,3% em janeiro de 2026, o maior nível desde 2008. Além disso, a relação entre o endividamento das famílias e o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 33,7% para 36,5%.
Segundo a análise, esse cenário reduz a margem disponível para gastos extras em períodos de consumo sazonal, como a Copa do Mundo.
Consumo continua, mas hábitos mudam
Mesmo com os preços mais elevados, a expectativa é que os produtos tradicionalmente associados ao torneio continuem registrando aumento de demanda durante os jogos.
Dados da NielsenIQ mostram que a cesta da Copa apresentou crescimento médio de 13% em volume durante semanas de partidas em diferentes países analisados.
A tendência observada é de adaptação dos consumidores, com substituição por marcas mais baratas, escolha de embalagens menores e redução da quantidade adquirida para acompanhar os jogos.
A Copa do Mundo de 2026 será disputada entre junho e julho nos Estados Unidos, Canadá e México.





