O crescimento de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no primeiro trimestre de 2026 foi impulsionado principalmente pela demanda doméstica, pelos investimentos e pelo consumo das famílias. A avaliação é do economista Carlos Lopes, do banco BV, que considera o resultado alinhado às expectativas do mercado.
Segundo o especialista, o desempenho da economia no período apresentou características positivas, com recuperação da atividade interna e avanço dos investimentos. Diferentemente do observado em trimestres anteriores, o setor externo teve contribuição negativa para o resultado, enquanto o mercado doméstico ganhou protagonismo.
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Um dos destaques apontados por Carlos Lopes foi o comportamento da poupança das famílias. Dados do período indicam que parte dos brasileiros continuou aumentando suas reservas financeiras, movimento que ajudou a sustentar o consumo mesmo em um cenário de juros elevados.
De acordo com o economista, embora exista uma parcela da população mais pressionada pelo endividamento, outra parte vem acumulando recursos, o que contribui para manter o nível de gastos na economia.
Consumo segue forte apesar dos juros
A manutenção do consumo em níveis elevados ocorre mesmo com a taxa de juros em patamares restritivos. Segundo a análise, esse comportamento ajuda a explicar a resistência da atividade econômica e também influencia o cenário inflacionário.
O aumento da demanda por bens e serviços tende a manter pressão sobre os preços, fator que continua sendo acompanhado pelo Banco Central na definição da política monetária.
Segundo trimestre deve desacelerar
Apesar do resultado positivo no início do ano, a expectativa é de desaceleração da economia nos próximos meses. Os primeiros indicadores do segundo trimestre apontam para um ritmo de crescimento mais moderado, possivelmente próximo da estabilidade.
Ainda assim, o desempenho registrado entre janeiro e março é visto como um sinal de resiliência da economia brasileira diante do ambiente de juros elevados e das incertezas do cenário econômico.
Para o economista do banco BV, os dados reforçam a necessidade de atenção em relação à inflação, uma vez que a demanda doméstica continua apresentando força mesmo diante das medidas adotadas para conter o avanço dos preços.





