As tarifas anunciadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre produtos brasileiros podem retirar entre R$ 15 bilhões e R$ 38 bilhões do consumo das famílias em 2026, segundo estimativas de mercado. A combinação de sobretaxas de 25% e de um adicional de 12,5% coloca sob pressão cerca de US$ 9,5 bilhões em exportações industriais brasileiras e pode afetar o desempenho da economia no próximo ano.
As projeções indicam que o impacto sobre o Produto Interno Bruto (PIB) pode variar entre 0,3 e 0,6 ponto percentual. No cenário mais pessimista, a perda de atividade econômica pode alcançar R$ 76 bilhões ao longo de 2026, levando o mercado a revisar para baixo as expectativas de crescimento do país.
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O consumo das famílias, responsável por aproximadamente 64% do PIB brasileiro e que movimentou R$ 8,1 trilhões em 2025, deve absorver entre 40% e 50% dos efeitos do choque econômico. No cenário considerado central pelo estudo, a redução no consumo é estimada em R$ 22,5 bilhões, sendo R$ 7 bilhões no varejo restrito e R$ 10,5 bilhões no varejo ampliado, segmento que inclui veículos e materiais de construção.
Os impactos econômicos podem ocorrer por diferentes canais, como retração das cadeias produtivas ligadas às exportações, pressão sobre o câmbio, aumento do custo de máquinas e insumos importados e elevação de preços em setores como alimentos industrializados, bebidas, materiais de construção e transporte.
Entre os segmentos mais vulneráveis estão as indústrias de máquinas pesadas, etanol, transformadores elétricos, madeira beneficiada e granito trabalhado. No agronegócio, a carne bovina pode registrar queda de até 20% nas exportações destinadas ao mercado americano. A indústria aeronáutica e a siderurgia também aparecem entre as mais expostas aos efeitos das medidas.
As tarifas ainda estão em fase de consulta pública, com prazo até 6 de julho de 2026 e audiência prevista para o dia 7. A decisão final caberá ao presidente dos Estados Unidos até 15 de julho. O governo brasileiro informou que poderá adotar medidas proporcionais caso as sobretaxas sejam confirmadas.
Segundo o estudo, apesar de o Brasil possuir uma economia relativamente menos dependente do comércio exterior, os efeitos indiretos das tarifas sobre câmbio, crédito e confiança dos agentes econômicos podem ampliar os impactos sobre o consumo e a atividade econômica, especialmente em um contexto de juros elevados e alto nível de endividamento das famílias.




