Primavera exige atenção redobrada dos pais para alergias em crianças

Pediatra e professor da Afya Paraíba explica como diferenciar alergias de gripes e resfriados e orienta sobre cuidados para prevenir crises durante a mudança de estação

A chegada da primavera, em 22 de setembro, exige atenção especial dos pais com a saúde das crianças, principalmente para aquelas que apresentam predisposição a doenças alérgicas. Esse período pode favorecer o aparecimento ou a intensificação de manifestações respiratórias e oculares.

“Na primavera, algumas crianças apresentam piora de rinite, conjuntivite alérgica e asma porque há mudanças no ambiente. Dependendo da região, pode haver maior presença de pólens, além de variações de temperatura e umidade. Também é importante lembrar dos alérgenos presentes dentro de casa, principalmente ácaros da poeira, mofo e partículas de animais”, explica Luiz Felipe, preceptor em Pediatria da Afya Paraíba.

O especialista destaca ainda que outros elementos do ambiente podem irritar as vias respiratórias. Vento, poluição e ar mais seco também merecem atenção, principalmente entre as crianças que já apresentam  e sugere: “É importante observar quando as manifestações aparecem e quais situações parecem agravá-las, pois pode ajudar a identificar possíveis desencadeantes com maior agilidade”.

Espirros nem sempre significam gripe

Espirros, coriza e nariz entupido são sintomas comuns na infância e, muitas vezes, podem ser confundidos com um resfriado. A diferença está no conjunto de sinais e, principalmente, na forma como eles evoluem.

Na rinite alérgica, observar o quadro ao longo do tempo pode ajudar os pais a reconhecer características próprias da condição. “Na alergia, são comuns espirros repetidos, coceira no nariz, nariz entupido, coriza geralmente clara, coceira nos olhos, lacrimejamento e olhos avermelhados. Em geral, não há febre, e os sintomas podem persistir ou reaparecer com frequência”, explica Luiz Felipe.

Além das características próprias do quadro alérgico, a evolução das manifestações também pode ajudar a perceber quando se trata de uma infecção respiratória. A presença de sinais associados, como indisposição ou dor no corpo, pode indicar outro tipo de ocorrência. A confirmação, no entanto, depende de avaliação profissional.

“Nos resfriados e outras infecções virais, podem ocorrer febre, dor no corpo, indisposição, dor de garganta e redução do apetite, embora nem toda virose provoque febre. A repetição dos sintomas após contato com poeira, mofo, animais ou outros desencadeantes reforça a possibilidade de alergia”, afirma o pediatra.

Acompanhamento ajuda a evitar descontrole

O histórico da criança e a evolução do quadro devem ser considerados na condução dos cuidados. “Crianças com rinite alérgica, asma ou outras doenças alérgicas devem manter acompanhamento adequado e não suspender por conta própria o tratamento prescrito quando estiverem bem. Rinite e asma frequentemente estão associadas”, orienta Luiz Felipe.

A avaliação individual permite acompanhar as particularidades de cada criança e entender como o quadro evolui ao longo do tempo. Esse olhar mais atento também ajuda a identificar situações em que os cuidados adotados precisam ser revistos e a definir, de forma adequada, quais medidas podem contribuir para o controle da condição.

“Quando a doença alérgica respiratória está mal controlada, pode haver piora do sono e da qualidade de vida e, nas crianças com asma, maior risco de exacerbações respiratórias. Quando indicado, a avaliação pode incluir investigação dos desencadeantes e testes alérgicos específicos”, explica o especialista.

Cuidados em casa podem reduzir exposição

O ambiente doméstico merece atenção especial, já que a exposição a diferentes agentes pode ocorrer ao longo de toda a rotina da criança. “Algumas medidas ajudam bastante: reduzir o acúmulo de poeira, evitar excesso de tapetes, carpetes, cortinas pesadas e objetos que acumulem pó; lavar regularmente as roupas de cama; e preferir pano úmido ou aspirador à limpeza que levanta poeira. Mofo e excesso de umidade devem ser combatidos”, orienta o pediatra.

Fora de casa, os cuidados dependem dos fatores aos quais cada criança apresenta sensibilidade. Nos casos de reação ao pólen, por exemplo, a exposição pode precisar ser reduzida nos períodos de maior concentração. A atenção também deve se estender ao retorno para casa, quando medidas simples podem ajudar a retirar partículas que ficaram em contato com o corpo.

“Depois de atividades ao ar livre com muita exposição, pode ajudar trocar a roupa e tomar banho. A lavagem nasal com solução salina também é uma medida simples e útil para remover secreções e partículas da mucosa nasal. A técnica e a frequência podem ser orientadas conforme a idade da criança”.

Quando procurar avaliação médica

A evolução do quadro é um dos principais pontos que os responsáveis devem observar ao longo dos dias. Mudanças na intensidade das manifestações ou a repetição dos episódios podem indicar que é necessário investigar melhor a causa e avaliar a conduta mais adequada.

“Procure avaliação quando os sintomas forem frequentes ou persistentes, atrapalharem o sono, a alimentação, a escola ou as atividades da criança

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