A Instituição Fiscal Independente alertou que o aumento nos preços do petróleo provocado pelo conflito no Oriente Médio gerou um alívio temporário nas contas públicas brasileiras, mas não elimina os riscos relacionados ao déficit fiscal e ao crescimento da dívida pública.
As informações constam no Relatório de Acompanhamento Fiscal nº 112, divulgado nesta quinta-feira (21). Segundo o documento, o cenário atual criou um “equilíbrio precário” para as contas públicas em 2026.
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De acordo com a IFI, a alta do petróleo ampliou a arrecadação com exportações e abriu espaço para medidas de mitigação econômica, como o fim da chamada “taxa das blusinhas”. O relatório aponta ainda que o choque externo ajudou a formar um “colchão de segurança” para evitar o descumprimento das metas fiscais neste ano.
Apesar disso, a instituição afirma que os déficits primários seguem recorrentes e que a dívida pública continua em trajetória de crescimento.
O documento também avalia que a proximidade do período eleitoral reduz a possibilidade de adoção de medidas mais profundas de ajuste fiscal. Na análise da entidade, o cenário político limita decisões a ações consideradas inevitáveis, como a regulamentação do Imposto Seletivo previsto na reforma tributária.
A IFI também criticou as projeções macroeconômicas utilizadas pelo governo no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027. Segundo a instituição, os parâmetros adotados são “extremamente otimistas” em relação às estimativas da própria entidade, afetando as projeções de receitas, despesas e dívida pública.
O relatório prevê metas de resultado primário de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027, chegando a 1,5% em 2030.
Entre os principais fatores de pressão sobre as contas públicas, a IFI destacou o crescimento das despesas obrigatórias, especialmente os gastos com o Regime Geral da Previdência Social. Em 2025, os desembolsos somaram R$ 1,027 trilhão, equivalente a 8,1% do PIB e 42,9% da despesa primária da União.
A instituição também apontou riscos fiscais ligados a demandas judiciais, com impacto potencial estimado em 17,8% do PIB em 2025, além da possibilidade de necessidade de aportes emergenciais para os Correios.





