Uma pesquisa internacional apresentada durante a edição de 2026 da American Society of Clinical Oncology (ASCO), maior congresso de oncologia clínica do mundo, apontou que mulheres com câncer de mama em estágio inicial podem ser poupadas da quimioterapia após a cirurgia, desde que sejam selecionadas por meio de um teste genômico específico.
O estudo OPTIMA acompanhou mais de 4.400 pacientes com câncer de mama do subtipo ER+/HER2-, o mais frequente da doença, e avaliou a utilização do teste genômico Prosigna (PAM50) para definir a necessidade da quimioterapia complementar.
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De acordo com os resultados apresentados no congresso, pacientes classificadas com escore genômico de baixo risco (ROR ≤ 60) mantiveram bons índices de controle da doença nos cinco primeiros anos de acompanhamento mesmo sem receber quimioterapia após a cirurgia.
O principal autor da pesquisa, o professor Robert Stein, da University College London, no Reino Unido, estará em Campinas nos dias 18 e 19 de junho para apresentar e discutir os resultados durante o II Simpósio Câncer de Mama Campinas, realizado no Instituto de Oncologia da Unicamp (IOU-Unicamp).
Segundo a oncologista clínica Susana Ramalho, do Grupo SOnHe, os resultados reforçam o avanço da medicina personalizada no tratamento do câncer de mama ao permitir uma definição mais precisa das pacientes que realmente se beneficiam da quimioterapia.
O estudo também traz evidências para grupos que ainda geravam dúvidas na prática clínica, incluindo mulheres na pré-menopausa submetidas à supressão ovariana e pacientes com maior comprometimento dos linfonodos.
Para o oncologista Higor Mantovani, também do Grupo SOnHe, a pesquisa fortalece a tendência de individualização dos tratamentos oncológicos, utilizando ferramentas genômicas para direcionar a intensidade terapêutica de acordo com o perfil de cada paciente.
Os especialistas ressaltam que, apesar dos resultados promissores, a indicação de quimioterapia deve continuar sendo definida de forma individualizada, com base na avaliação médica e nas características clínicas de cada caso.
A participação do professor Robert Stein no simpósio em Campinas deve ampliar o debate sobre a aplicação dos resultados do estudo na prática clínica brasileira e sobre o uso de testes genômicos na tomada de decisão terapêutica para pacientes com câncer de mama.






